segunda-feira, 20 de maio de 2013

Da realidade além dos nossos sentidos


Existe uma coisa muito além da minha compreensão.
Existe algo que eu sei que existe, mas prefiro não acreditar.
Não é uma questão de orgulho, mas mais uma questão de constatação.

De alguma forma eu sei que existe algo atrás da moldura da realidade. Em qualquer lugar que eu olhe, para o lado que for eu sei que existe alguma realidade que não pode ser sentida por meio dos nossos sentidos tão comuns. Eu sei que por trás do véu da realidade existe um universo imenso de coisas que eu não sei como explicar.



Mas a minha percepção não se resulta em uma simples constatação. Eu não sei o mecanismo e nem como chegar lá do outro lado, mas como eu sei que existe esse outro universo, isso eu posso explicar.

Esse assunto já fora objeto de discussão por uma série de pensadores respeitáveis. Platão, Kant, só para citar alguns. Meio que da mesma linhagem todos sabiam que existia um mundo ou algo além da nossa compreensão e que esta coisa ou realidade não poderia ser alcançável por nossos sentidos. Enquanto Platão acreditava que pelo caminho da busca da sabedoria seria possível encontrar o mundo real, Kant, finalmente, pôs um fim nisso tudo e disse que seria impossível compreendermos o objeto em si, ou a coisa em si.

Deixando de lado o raciocínio, eu tenho certeza de que algo além da minha compreensão existe. Seria ingênuo ou um perfeito imbecil para afirmar o contrário. Mas na medida em que acredito na possibilidade de existência dessa outra coisa, acredito, por outro lado, que é impossível alcançarmos através dos nossos sentidos.

Isso tudo é um grande mistério. Talvez esta é a razão para tanto segredo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sobre a arte de enganar os outros e a mim mesmo


Alguma coisa aconteceu.

Não sou mais quem fui ontem. Tampouco quem fui horas a trás. Mas estou certo de uma coisa. De que tendo você como alguém que me escuta e as vezes me lê, certamente entenderá as minhas palavras.

Saiba que não fui assim. Era comum as mudanças e repentinas as constatações. Eram duradouras e as vezes até doíam. Eram tristes como também eram alegres. As mudanças me ensinaram muito sobre mim e pouco sobre o mundo.

Chegou um tempo em que a coisa se inverteu. Passei a buscar mais o entendimento da realidade, do mundo, das pessoas. Parei de buscar quem sou eu. De vez em quando eu me aproximava da curiosidade de quem eu era. Mas alguma coisa me puxava de volta, como se a minha vida fosse um tempo passando a nossas costas enquanto estávamos concentrados na frente da TV.




Pois bem, assim como eram repentinas as constatações tornou-se esporádicos os momentos em que eu me encontrava. Assim, em pedaços, fui percebendo o pouco a pouco do que tinha mudado em mim. E isso era bom pois eu via a que resultados cheguei em busca da minha jornada.

Tenho certeza de que de alguma forma você entenderá isso. Talvez não hoje, nem amanhã. Mas um dia se lembrará de mim e disso que acabei de escrever. Essas palavras pulsarão na sua mente. Ecoarão por toda a sua consciência. Sei que um dia te fará sentido.

Mas hoje chegou. E algo estranho aconteceu. É como se eu pudesse te determinar a que tipo de pessoa sou. A que coisa gosto de ler e o que tenho para te oferecer. E não só isso, sei exatamente do que falo. Confesso que passei boa parte do tempo te afirmando e afirmando para os outros idéias que eu não tinha absoluta certeza do que elas queriam dizer.

Foi daí que cheguei a conclusão de que eu sou um ótimo enganador, pois enganei a todo mundo e principalmente a mim mesmo.

Isso tem um tom de triste. Mas é a mais pura verdade. Na medida em que nos ferimos com a verdade nós aprendemos a sentir dor. E com a dor buscamos evitá-la. E é evitando a dor que encontramos a paz. E na paz não precisamos de verdade, isto por que já aprendemos tudo, principalmente tudo o que tínhamos de aprender sobre nós.

É com essas palavras que eu termino dizendo, eu estou bem.